A LAMBEDEIRA

16/09/2015 14:37

Frederico Spencer

 

Há dentes nesta língua

de aço, terra do sertão

de sóis, que para cada um sobrou:

este pouco quinhão – deserto de lâminas

nesta vastidão

de nada, sobre a terra rachada:

a lama das carcaças dos bichos

e das plantas, cinzas

fotogramas de pessoas embaçadas

ao vento clamando perdão

por desfiar pedras

na terra em brasa,

o sol do sertão:

-Também do suor vive o trabalho

destilando as gentes nestas terras.

Também do suor dessas gentes

se alimenta do talho o vão patrão

neste relicário, o sertão:

- Neste sol nos fizemos palha,

qual o milho e o gado

secamos nestas terras

na gana dos homens

que se alimentam desta ilusão:

aqui depositamos nosso trabalho:

com o suor, ver esta terra virar barro

moenda, de tantos deuses:

fazer chover este sertão.

 

 

 

 

 


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