AMOR DE PLÁSTICO

13/09/2015 10:46

Frederico Spencer

 

Na realidade a sentia fria e distante, submissa frente às suas vontades. Estava sempre à sua espera: boca aberta, parada e nua, pouco suava. Nela o silêncio subjugava os segredos daquelas horas. Seu sofrimento era sagrado, como um túmulo, guardava dentro de si os despojos de toda uma vida.

Mas também gostava deste silêncio que reinava na casa, que só era maculado pelos acordes daquele show, assistido por milhares de vezes, conseguia o levar a um delírio maravilhoso - imaginava aquela Diva balbuciando coisas em seus ouvidos e rodopiava levado pelas batidas daquelas músicas. Ela era incrível, lindamente gostosa, lhe deixava maluco, até o ponto de não aguentar mais e hipnotizado: corria para a sua amada de plástico e fazia amor noite adentro. Acordava pela manhã, lambuzado e quente. Na tela da TV a ficha técnica se repetia indefinidamente.


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