UMA BOA AÇÃO SOCIAL

21/05/2015 08:00

Por Luiz Gonzaga Bertelli*

O papel que os jovens representarão no Brasil de amanhã está diretamente relacionado à empregabilidade dessa faixa etária e às condições oferecidas para a formação de novos profissionais.

Alguns números dão ideia do tamanho do problema. A escolaridade média do brasileiro é de 8,8 anos (IBGE, 2012), contra os quase 14 anos de estudo registrados nos Estados Unidos e na Coreia do Sul.

Praticamente cumprida a meta de universalização do acesso ao ensino fundamental, o gargalo da vez é o ensino médio. Cerca de 20% dos jovens de 15 a 17 anos estão fora da escola. E, dos 80% que entram, 9% abandonam o curso e 12% são reprovados. Isso sem contar os 31% que se enquadram na categoria distorção entre idade e série.

Os prejuízos são evidentes. Basta lembrar que cada ano adicional de escolaridade corresponde a cerca de 10% de aumento no salário e a um crescimento de 0,37% no Produto Interno Bruto (PIB).

Diante de tais benefícios, o que leva à evasão escolar? Segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas, 40% desistem porque acham a escola desinteressante; 27% porque precisam trabalhar; e 11% porque o acesso à escola é difícil.

Além do descolamento entre currículo e a vida do aluno, especialistas identificam que – em especial no grupo dos 9,6 milhões da geração nem-nem (nem estudam nem trabalham)–, a desistência da escola está vinculada ao que chamam de ambiente cultural de antecedentes de fracasso. O desistente geralmente é o primeiro da família a atingir esse patamar de estudo e pertence a comunidades carentes, em situação de vulnerabilidade e exclusão do mercado formal de trabalho.

Um programa dentro das políticas públicas de inclusão profissional que vem demonstrando eficácia é o da aprendizagem incentivada pela lei nº 10.097/00, reconhecida como ação de assistência social.

Conjugando treinamento prático nas empresas e capacitação teórica ministrada por entidade qualificadora, conta hoje com 280 mil jovens de 14 a 24 anos em formação profissional, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, com a meta de atingir até o final do ano a marca de 1 milhão de aprendizes.

Ao lado da fria letra da lei e respondendo por um terço dos jovens em capacitação profissional, o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) vivencia o lado humano da aprendizagem, testemunhando seu impacto benéfico nos jovens e suas famílias, que também são incluídas no processo com encontros de orientação e constante acompanhamento de assistentes sociais.

Inseridos no ambiente corporativo e contando com salário e outros benefícios, que reforçam a renda familiar, os jovens descobrem o valor do aprendizado contínuo, ganham autoestima e adquirem posturas que favorecerão uma futura efetivação ou mesmo o sucesso no primeiro emprego formal.

Com um detalhe animador: aptos a conciliar trabalho e estudos, muitos decidem avançar na carreira e partem para a universidade ou o pequeno negócio próprio.

Com tal força inclusiva, inegavelmente a aprendizagem é daquelas boas ações de assistência social que, além de dar o peixe, logo de início ensina a pescar.

*LUIZ GONZAGA BERTELLI é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE)

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Disponível em:

https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/01/1399953-luiz-gonzaga-bertelli-uma-boa-acao-social.shtml

 


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